Sea, sun and golden sand, that’s what Linda Coelli can see when she gets out of her studio a goes for a walk. Linda is a tropical, warm voice talent from Natal, Brazil. She is probably one of the most international voice artists or “locutoras” from the South American country as she has worked in hundreds of projects from companies in the US, Europe and of course Brazil. Very active in social media, Linda knows how to network with colleagues and potential clients. Linda’s voice can be heard on on DirectVoices, where she can be reached and hired for any VO in sweet and melodious Brazilian Portuguese.
An interview and transcription in Portuguese.
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Linda Coelli, bom dia. De onde você trabalha como locutora?
Bom dia Constantino. Eu trabalho na verdade… de qualquer lugar! Quando eu comecei com o home studio eu morava no exterior. Eu morava na Áustria, em Viena. Então atualmente eu estou morando em Natal, que é uma cidade do litoral brasileiro, uma cidade com muitas praias e eu escolhi Natal para morar, onde eu posso estar mais perto da minha família, dos meus amigos, e das praias, que eu tanto gosto.
E agora com a temperatura ideal para aproveitar as praias… Quem é Linda Coelli? Conte-nos um pouco sobre sua carreira, como você acabou nesta profissão?
Na verdade eu não “acabei” mas “comecei”. É um trocadilho porque eu não vim de algum outro lugar, mas eu desde sempre trabalho com locução. Sou locutora desde os 16 anos.
Desde criança, desde os 13 anos de idade eu gostava muito de ouvir rádio e ouvir as músicas internacionais, eu gostaria sempre de saber o que aquelas músicas em inglês estava dizendo, eu comecei a traduzir as músicas, assim comecei eu aprendi inglês sozinha e por causa disso pensei: “Vou trabalha no rádio para ouvir estas músicas, trabalhar com estas músicas”. Então depois disso eu fui morar no exterior, mas onde eu morava se falava alemão e eu não me sentia segura para jamais trabalhar numa emissora de rádio, pra falar em alemão. Então tive a idéia de montar um home studio e trabalhar com o que eu sempre fiz e sempre gostei, que era a voz. Aos 16 anos eu já trabalhava e agora eu tenho 18 anos… hahahaha
Sempre jovem. Mas agora você fala alemão, fala inglês. Qual é a sua rotina de trabalho de um dia normal, Linda?
Durante a manhã eu coleto o que tem pra gravar e depois do almoço eu vou fazer as gravações. Quando tem muita coisa pra fazer, eu gravo até a noite…
Com o calor que faz na Natal com 30 graus, como faz? Tem um ar condicionado, mas é um problema isto também com o ruído que faz o ar condicionado, talvez?
Sim, aqui em Natal é muito quente e eu sou um “pouco” perfeccionista… Eu não quis nenhuma ventilação, digo, ar condicionado, com receio de que isso prejudicasse a qualidade do áudio. Então, quando eu preciso gravar durante muitas horas, e eu tenho que vir para a cabine durante muitas horas, não venho pra cabine de biquine, não.
Nenhuma pessoa pode ver, não seria um problema, não?
É verdade. Mas o calor é um problema, com certeza. No exterior, em Viena onde eu morava era bem melhor o clima, eu digo. Eu gosto do inverno. É a única coisa que eu sinto falta na europa, é o inverno. Mas para gravar também era bem agradável, aqui é muito calor.
Linda, como você conseguiu captar a atenção do clientes potenciais?
Dos brasileiros, né? Eles gostam de ouvir se o locutor é versátil, pode fazer vários tipos de gravações. Mas no caso dos clientes internacionais, é um pouco mais complicado, porque eu faço parte de alguns sites pay-to-play e a oportunidade que a gente tem de chamar a atenção dos clientes é depois que recebemos uma oferta de trabalho, então vamos fazer a nossa audição e é aí que eu acredito que eu faço o meu diferencial.
Qual é a sua especialidade?
Poxa, eu tenho algumas. Eu gosto muito de gravação para espera telefônica, também e-learning… Ah! e narração de vídeo. É o que eu tenho feito bastante ultimamente são essas três coisas. E-learning, narração de vídeo, seja corporativo ou comercial e também as mensagens para espera telefônica.
Nós vemos Linda, que você é muito ativa nas redes sociais. Que tipo de recompensas ou benefícios dá-lhe a socialização na rede?
Os benefícios, acredito eu, que vêm a longo prazo. Mas em primeiro lugar acredito que o reconhecimento do nome como referência na indústria da locução é um dos principais benefícios. É importante para o locutor que trabalha online, que precisa da internet, ele também precisa interagir com outros colegas, outros colegas podem nos indicar para trabalhos. Eu geralmente também indico também colegas que eu não conheço pessoalmente, mas conheço apenas da internet e das redes sociais. Então acredito que a referência em primeiro lugar é a coisa mais importante que vem como benefício de interagir nas redes sociais. E em segundo lugar as conexões que a gente pode ter.
Você é uma das poucas locutoras independentes brasileiras conhecidas fora do Brasil, também graças à internet, às redes sociais… É que você procura trabalhar também especificamente fora do Brasil?
No Brasil, a gente estar, como nós dizemos “cara a cara” com os clientes e com os produtores é importantíssimo. Enquanto eu morava no Brasil, aqui eu tinha os meus clientes, eu também trabalhava em rádio, mas a partir do momento que eu tive que ir para o exterior, ficou muito difícil. As pessoas realmente aqui no Brasil ainda não têm muito o costume de contratar vozes online. Geralmente as agências de propaganda, elas precisam que o locutor esteja lá, eles gostariam de dirigí-los. Inclusive essas conferências pelo Skype, elas são relativamente novas aqui no Brasil. E o mercado internacional está muitos anos a frente do mercado brasileiro, então aqui no Brasil você tem que ter conhecimentos, mas no exterior pra gente alcançar o mercado internacional — que eu tive que procurar porque fui morar no exterior e não tinha mais acesso direto aos clientes brasileiros, não tinha estúdio, nem nada… — então pensei: o que eu gosto de fazer e quero fazer é trabalhar com a voz, então vou montar um estúdio para mim. E agora, onde vou achar os clientes? Então eu tive que ir procurar na internet e nos sites específicos para locutores, que no Brasil nós temos apenas um. Aí um bom mercado para o Direct Voices.
Acha você que isto talvez está mudando no Brasil? Que os produtores também buscam, procuram fazer as locuções à distância porque é um país muito grande. Agora, você que está em Natal, talvez um produtor que está em São Paulo, no Rio de Janeiro, que procura sua voz, o transporte é um problema. Agora não, com a internet, é muito fácil de fazer a gravação e que um produtor possa dirigir a sua voz diretamente. Como se deve convencer os produtores locais no Brasil de que isto é possível? Pensa que vai haver uma mudança como nos outros países?
Aqui no Brasil pra convencermos um produtor que mora no Brasil, não é fácil. Como eu te falei, ele precisa ter muita certeza de que a qualidade vai ser boa, porque eles estão muito acostumados a dirigir a pessoa pessoalmente, o artista pessoalmente. Ainda é difícil. Eu acredito que apenas do final de 2012 para cá, foi que eu comecei a receber emails de produtores de São Paulo, Curitiba, outros estados do Brasil, Rio de Janeiro… Mas eles precisam sentir confiança primeiro. Então eles ligam, eles querem bastante proximidade, sentir que a pessoa realmente é de verdade. O brasileiro ainda é muito tradicional, digo, conservador com relação a isso. Ainda é preciso muito estar perto… Aquela coisa de “gente com gente”
Também no brasil há um site locutores.com.br. Acho que a maioria são locutores brasileiros.
Sim.
Acho que funciona muito bem. Qua a sua experiência com este site, o locutores.com.br?
Foi uma experiência muito boa. Existem ainda, acredito eu que por questões de educação… A nossa educação ainda é muito pouca, se investe muito pouco em educação, então algumas pessoas ainda querem, acredite, trabalhos de graça. Vão até o site e pedem “Ah, grava isso pra mim, são apenas 5 minutos” Mas geralmente, as pessoas que me contatam através desse site são pessoas que ouviram em primeiro lugar o meu demonstrativo, o meu sample e gostaram. Então entram em contato realmente para fazer trabalhos bons, sérios e no geral, a minha experiência com o esse site é muito boa. Mas geralmente são os clientes brasileiros — produtores e clientes finais — que entram em contato.
De acordo com Wikipedia, o português, a língua portuguesa é a sexta língua mais falada no mundo, com 207 milhões de falantes. Como você vê o mercado de locuções no Brasil, em geral? É um reflexo da prosperidade do país? Mais demanda, mais negócio?
Sim, você tocou num ponto importante agora. Isso realmente está gerando um reflexo. Está gerando mais negócios aqui no Brasil. Infelizmente ainda temos um carga tributária, as empresas ainda pagam muitos impostos e isso tem impedido, acredito eu, de alguns investidores estrangeiros virem para o Brasil. Mas eu acredito que esse protecionismo aos poucos vai acabar e vai acabaar gerando amis negócios ainda. Então, atualmente no mercado do rádio aqui no brasil, os locutores têm reclamado que a indústria está muito ruim, essas coisas… Mas como te falei no começo, eu acredito que a gente tem que se diversificar. Eu tenho um blog onde eu também aconselho os locutores a investirem também no lado profissional de locução online. Porquê? Os negócios estão aumentando, de acordo com que os investidores vêm para o Brasil, eles estão já precisando de locutores que falem português do Brasil. Mas não há gente capacitada. As pessoas, os locutores — muito bons locutores! — mas não aprenderam o inglês, por exemplo… Porque o inglês é apenas o essencial para a gente se comunicar. Ler o email.. O que o cliente quer naquele email? Vamos fazer daquele jeito…
Então o problema é esse: a educação, porque não se investe na educação. O locutor também acho que ainda não acordou para essa realidade, ou talvez não acredite que vão haver grandes negócios. Mas vão haver sim, eu acredito nisso, por causa desse boom. O Brasil está crescendo, é devagar, mas está crescendo e eu acredito que se o profissional se diversificar, estudar, aprender no mínimo o inglês, ele vai levar uma parte, a gente diz “uma fatia do bolo”, uma parte desses negócios, na verdade. Então acredito que o profissional brasileiro tem apenas que se diversificar, porque o mercado está sim, crescendo, gerando mais negócios.
Agora isto para os profissionais estabelecidos no mercado brasileiro, que devem olhar a fora as oportunidades que há graças a internet. Mas que conselho você daria para um principiante? Que método deve ser seguido para alcançar o sucesso como locutor?
Eu bato sempre na tecla da educação. Em primeiro lugar o locutor deve procurar um curso profissionalizante. Aqui no Brasil nós temos alguns poucos cursos, ainda, infelizmente… Muita gente acredita que apenas o talento — o talento é muito importante, é óbvio — no curso você não vai aprender a ter talento. Mas se você tem talento, em primeiro lugar vai fazer um curso profissionalizante para aprender como funciona a indústria. Em segundo lugar eu diria que aprendesse um segundo idioma. E também lesse. Blogs, revistas, leia na internet matérias, leia sobre a indústria, compre livros… eu acredito muito que tudo gira em torno da educação, então tem que se profissionalizar, aprender uma segunda língua, ler sobre a indústria e aos poucos também trabalhar muito, que é o trabalho duro que vai trazer o sucesso.
Linda Coelli, muito obrigado por essa entrevista, pelos conselhor tão sábios, tão úteis e até logo! Muito sucesso na sua carreira!
Constantino, eu é que agradeço pela oportunidade maravilhosa de participar e conversar com você aqui no Voice Over Plaza. Muito obrigada!
www.lindacoelli.com Site também em inglês e alemão
Otimo bate papo
Excelente!